Foi paixão pelo orelhão’, diz dono de coleção com 20 mil cartões telefônicos em Ribeirão Preto, SP

A História de um Colecionador Apaixonado

Em Ribeirão Preto, um aposentado chamado Marcos Antônio Sian se tornou um verdadeiro guardião da nostalgia. Desde 1998, ele acumula uma impressionante coleção de aproximadamente 20 mil cartões telefônicos, cada um representando um pedaço da história das comunicações no Brasil. Os cartões, que serviram como bilhetes para ligações em orelhões, são uma memória viva de tempos em que as linhas fixas dominavam a comunicação.

O Valor dos Cartões de Orelhão

O valor destes cartões varia significativamente, com alguns exemplares raros chegando a ser avaliados em até R$ 10 mil. O acervo de Sian inclui impressões de pontos turísticos, obras artísticas, campanhas publicitárias, personalidades e muito mais, refletindo a evolução cultural ao longo dos anos. Para muitos colecionadores, a busca por cartões raros não é apenas uma atividade de lazer, mas uma verdadeira paixão.

Como Começou a Coleção de Marcos Antônio Sian

O amor de Sian pelos cartões telefônicos começou durante suas frequentes viagens de Ribeirão Preto a São Paulo, onde ele comprava produtos para sua loja. Em cada parada, encontrava cartões das ligações esgotadas à venda, e isso o fascinaram. O seu hobby se transformou em um emaranhado de histórias que, por sua vez, alimentava sua curiosidade por colecioná-los.

cartões de orelhão

A Variedade dos Cartões: Arte e Cultura

Os cartões na coleção de Sian não são apenas objetos funcionais; são também obras de arte. A diversidade de temas incluídos nas impressões é enorme, abrangendo:

  • Pontos turísticos: Representações de lugares famosos do Brasil e do mundo.
  • Bandeiras: Cartões que celebram a cultura e simbolizam os estados brasileiros.
  • Ilustrações: Artistas renomados criaram designs únicos para muitos cartões.
  • Histórias pessoais: Retratos de pessoas comuns, carros, objetos e muito mais.

Cada cartão conta uma história à sua maneira e, para Sian, é um prazer resgatar memórias ao olhar para eles.

Os Desafios de Encontrar Cartões Raros

Como qualquer colecionador sabe, a jornada para encontrar itens raros pode ser desafiadora. Sian frequentemente se conecta com outros entusiastas em grupos de WhatsApp, onde troca informações sobre onde encontrar os cartões mais difíceis de localizar. O advento da tecnologia, principalmente dos smartphones, facilitou esse contato, mas também trouxe uma dificuldade, pois com o uso dos celulares, muitos orelhões, e consequentemente os cartões, estão se tornando obsoletos.



O Fim dos Orelhões e a Nostalgia

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou que mais de 300 orelhões seriam retirados de circulação em Ribeirão Preto. A perspectiva de vê-los desaparecer deixou Sian nostálgico. Ele reflete sobre como a comunicação mudou drasticamente ao longo dos anos, com cada orelhão uma vez sendo um ponto de encontro entre amigos, familiares e até estranhos.

Como os Celulares Mudaram a Comunicação

Com a popularização dos celulares, a função dos orelhões foi diminuindo gradativamente. Sian observa como, nos dias de hoje, é difícil encontrar pessoas usando um telefone público, já que quase todos possuem um celular, mesmo aqueles de baixo custo. Isso não apenas mudou a forma como as pessoas se comunicam, mas também afetou o valor e a popularidade dos cartões telefônicos.

Eventos e Trocas entre Colecionadores

Durante seus primórdios como colecionador, Sian frequentemente participava de eventos e encontros na Praça da Catedral Metropolitana, onde colecionadores trocavam cartões e histórias. Esses encontros foram vitais para a construção de uma comunidade sólida e apaixonada pela arte da coleção. Embora esses eventos tenham diminuído com a redução do uso dos orelhões, a busca e a troca de cartões ainda continuam vivas por meio de plataformas digitais.

O Público Cada Vez Menos Familiarizado com os Orelhões

Com o avanço da tecnologia, muitos jovens e até adultos mais jovens já não têm familiaridade com o que é um orelhão ou como ele funciona. Isso resulta em uma percepção de um mundo móvel, onde a ideia e a necessidade de usar um telefone público se tornaram obsoletas. Sian, no entanto, defende a importância de lembrar desta parte da história da comunicação, afirmando que os orelhões tiveram um papel crucial em conectar pessoas em um tempo em que a tecnologia não era tão acessível.

A Importância de Preservar a Memória Cultural

Para Sian, coletar cartões telefônicos não é apenas um passatempo, mas uma forma de preservar a história da comunicação no Brasil. Ele enfatiza que cada cartão representa um capítulo da evolução da sociedade e da tecnologia, e por isso ele se dedica a manter sua coleção organizada e catalogada. Ao compartilhar suas histórias e experiências, ele busca inspirar uma nova geração a reconhecer a importância de valorizar e preservar a cultura local.

Nesse mundo em constante mudança, iniciativas como as de Marcos Antônio Sian asseguram que a memória coletiva dos orelhões e dos cartões telefônicos não sejam esquecidas, mas sim vividas e celebradas por futuras gerações.



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