Capital da reprodução assistida? 1 em cada 6 embriões congelados no Brasil está em Ribeirão Preto

Crescimento da Criopreservação em Ribeirão Preto

Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, se afirma como um dos principais centros de reprodução assistida do Brasil, representando uma fatia significativa do total de embriões congelados no país. Nos últimos anos, a cidade alcançou uma marca impressionante, com cerca de 113.477 embriões criopreservados entre 2020 e 2025, correspondendo a 16,5% do total nacional. Esse panorama reflete um crescimento acentuado, onde o estoque de embriões criopreservados no Brasil aumentou mais de dez vezes na última década, passando de 67.359 em 2015 para 689.063 em 2025.

O aumento da criopreservação é um sinal de mudança nos hábitos sociais e culturais, especialmente em relação ao planejamento familiar. O congelamento de óvulos, que antes era visto como uma alternativa para aqueles que enfrentavam dificuldades para conceber, hoje se torna uma opção para muitas mulheres que buscam priorizar suas carreiras ou que simplesmente desejam ter mais controle sobre o momento da maternidade.

Mudança de Paradigma na Maternidade

Historicamente, a reprodução assistida era uma abordagem utilizada majoritariamente por casais que enfrentavam problemas de infertilidade. Atualmente, no entanto, a criopreservação é empregada como uma estratégia de planejamento familiar por muitas mulheres. Elas optam por congelar seus óvulos com a expectativa de usar esses embrões quando se sentirem prontas para formar uma família, oferecendo uma nova perspectiva sobre a maternidade em tempos modernos.

criopreservação de embriões

Ademais, esse fenômeno representa uma autonomia sem precedentes para as mulheres, permitindo que elas escolham o momento certo para engravidar. A engenheira química Nélia Alves de Paula, por exemplo, decidiu congelar seus óvulos aos 37 anos para alinhar sua maternidade com seus objetivos profissionais e pessoais. Para ela, a escolha de congelar os óvulos retirou a pressão habitual associada ao convencionamento do relógio biológico.

Autonomia Feminina e Planejamento Familiar

O congelamento de óvulos é frequentemente descrito como um “seguro biológico”, proporcionando às mulheres a possibilidade de decidir o tempo de engravidar em um mundo que exige dedicação e compromisso com a carreira. As mulheres estão cada vez mais cientes de suas opções e buscam o que é melhor para suas vidas, equilibrando a função de mãe com o sucesso profissional.

Durante o período de 2024 a 2025, a proporção de mulheres mais jovens que optaram pela preservação da fertilidade também cresceu significativamente, indicando que a consciência sobre as realidades biológicas e a luta por escolhas pessoais são questões que agora atraem a atenção de mulheres com menos de 35 anos. Essa mudança demográfica na criopreservação ressalta a crescente busca por controle sobre a fertilidade e a vida.

Dados da Criopreservação no Brasil

O panorama brasileiro da criopreservação ilustra um crescimento exponencial na utilização desses serviços. Em 2025, o Brasil registrou mais de 689 mil embriões congelados, refletindo uma transformação no modo como os casais e as mulheres percebem a maternidade e a paternidade. Este crescimento é impulsionado pela intenção de planejar a vida familiar de maneira mais estratégica e personalizada.

Além disso, a maioria dos embriões congelados vem de tratamentos de fertilização in vitro, onde embriões excedentes são preservados para futuros usos. O acesso facilitado à tecnologia de reprodução assistida e a conscientização sobre a preservação da fertilidade ampliaram essa prática, tornando-a uma opção viável para um número crescente de mulheres no Brasil.



Impacto das Tecnologias Reprodutivas

As inovações nas técnicas de reprodução assistida têm favorecido o aumento da criopreservação no Brasil. Técnicas como a Fertilização In Vitro (FIV) possibilitaram a criação e o armazenamento de embriões, que são congelados à temperaturas extremamente baixas, preservando sua viabilidade por longos períodos. Esse processo garante que os embriões fiquem “paralisados” em seu estado de qualidade, permitindo que a gestação ocorra em momentos mais convenientes para os futuros pais.

A presença de centros especializados, como o Centro de Fertilidade de Ribeirão Preto, contribuiu para esse crescimento, proporcionando acesso a tecnologias avançadas e profissionais capacitados. O resultado é uma maior oferta de serviços e um entendimento mais profundo das necessidades das mulheres em relação à sua saúde reprodutiva.

Depoimentos de Mulheres que Congelaram Óvulos

Os relatos de mulheres que optaram pela criopreservação demonstram uma nova atitude em relação à maternidade. Nélia Alves, por exemplo, destaca a sensação de segurança que essa decisão trouxe: “Congelar meus óvulos me deu a liberdade de focar na minha carreira sem a pressão de que o tempo estava correndo contra mim.”

Outra mulher, Camilla Vidal, optou por congelar seus óvulos como uma medida preventiva devido ao risco à sua saúde reprodutiva, resultante de cirurgias. Ela menciona a importância e a tranquilidade que essa decisão trouxe, destacando que o congelamento se assemelha a um seguro que garante opções para o futuro.

O Papel dos Especialistas em Fertilidade

Os profissionais de saúde, como ginecologistas e especialistas em fertilidade, desempenham um papel fundamental no apoio a mulheres e casais que buscam a criopreservação como opção. Eles promovem a conscientização acerca da preservação da fertilidade e orientam sobre as melhores práticas para maximizar as chances de sucesso em processos como a fertilização in vitro.

Esses especialistas também ajudam a tratar questões emocionais e psicológicas associadas à pressa social para engravidar, oferecendo apoio psicológico às mulheres que buscam a criopreservação.

A Visão dos Profissionais de Saúde

A perspectiva dos profissionais de saúde sobre a criopreservação é positiva, reconhecendo seus benefícios como uma forma de ajudar mulheres a planejar suas vidas de modo mais eficiente. Especialistas em reprodução assistida afirmam que é uma ferramenta valiosa na luta contra a infertilidade, mas também uma opção proativa para aquelas que desejam garantir a fertilidade para o futuro.

Rebecca Pontelo, ginecologista, aponta que o aumento no número de mulheres que buscam congelar óvulos é encorajador e representa uma mudança na mentalidade feminina, ao invés de apenas um foco em dificuldades reprodutivas.

Tendências e Futuros Desenvolvimentos

Com o crescimento contínuo da criopreservação, as perspectivas futuras são otimistas. A demanda por serviços de preservação da fertilidade deve continuar a crescendo à medida que mais mulheres se conscientizam da importância de planejar suas famílias de acordo com seus termos.

Além disso, as tecnologias de reprodução assistida provavelmente evoluirão, proporcionando métodos ainda mais eficazes e acessíveis para congelar óvulos e embriões, aumentando a taxa de sucesso e reduzindo custos. Isso pode levar a uma maior aceitação social e uso desses serviços.

Importância da Criopreservação na Saúde da Mulher

A criopreservação não é apenas uma questão de planejamento familiar, mas um instrumento de saúde feminina. Ela oferece às mulheres a oportunidade de adiar a gravidez sem abrir mão de sua saúde reprodutiva, proporcionando uma sensação de controle sobre suas vidas. Mediante esse contexto, a saúde da mulher se entrelaça intimamente com a preservação da fertilidade, revelando um aspecto importante da autonomia feminina.

A capacidade de escolher quando ter filhos é um passo significativo para a igualdade de gênero, garantindo que a maternidade não seja uma barreira ao desenvolvimento pessoal e profissional das mulheres. A educação e a informação continuam a ser essenciais para que as mulheres façam escolhas informadas e empoderadas sobre sua fertilidade ao longo de suas vidas.



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