Após o vendaval de 24 de julho de 2026, a Prefeitura de Ribeirão Preto estima prejuízos superiores a R$ 50 milhões. Segundo a administração municipal, reformas estruturais em equipamentos públicos ainda dependem de recursos estaduais e federais.
Os ventos chegaram a 160 km/h e derrubaram ou danificaram 3 mil árvores. O temporal também deixou 1,8 mil pessoas desalojadas e interrompeu o fornecimento de energia para 285 mil unidades consumidoras.
A Prefeitura recebeu recursos da União e do Estado e contou com a devolução de parte do orçamento da Câmara Municipal. Para atender demandas urgentes, também usou contratos vigentes e atas de registro de preços.

Reparos em 23 das 24 escolas municipais afetadas foram concluídos, mas o Teatro Municipal, o Teatro de Arena, o Centro Pop e a Escola Municipal Professor Nagib Jorge estão entre os locais que ainda precisam de obras mais complexas. A administração não informou prazo para essas intervenções, que aguardam a liberação de verbas externas.
Prejuízos do vendaval e impactos na cidade
O primeiro cálculo divulgado pela Prefeitura, em 24 de julho, previa R$ 21,1 milhões para limpeza de ruas e remoção de árvores. Depois, o levantamento consolidado passou a incluir danos a prédios públicos e à infraestrutura urbana, além do aumento nos serviços de recolhimento e transporte de resíduos vegetais.
Nos 90 dias após o vendaval em Ribeirão Preto, equipes municipais recolheram 9.976 caminhões de galhos e troncos. Segundo a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, o volume foi pelo menos oito vezes maior que a média mensal, de 1,2 mil caminhões, e elevou os custos dos contratos já existentes.
O temporal também interrompeu o funcionamento de poços da Secretaria Municipal de Água e Esgoto (Saerp), exigiu a substituição de bombas queimadas e danificou o telhado do Centro Administrativo da Prefeitura. O reparo dessa cobertura foi avaliado em R$ 180 mil, conforme o balanço municipal.
Recursos recebidos e medidas emergenciais da Prefeitura
Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação apontam R$ 5,2 milhões em repasses externos: R$ 4 milhões do governo estadual, incluindo R$ 2,48 milhões de convênio com a Defesa Civil, e R$ 1,2 milhão da União destinado à saúde e à assistência social. A Câmara Municipal devolveu outros R$ 6 milhões do orçamento ao Executivo para apoiar as despesas emergenciais.
A administração informou que aplicou pelo menos R$ 8,5 milhões em serviços operacionais, considerando os recursos da Câmara e da Defesa Civil. O gasto poderia alcançar R$ 9,5 milhões com o acréscimo de custeio da Saúde, segundo a Prefeitura.
Do repasse para a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), R$ 1,64 milhão ficou reservado para projetos de aquisição de veículos e ferramentas de trabalho, além de auxílio direto às famílias afetadas. Esse valor não foi usado nos serviços de limpeza.
Empresários também mobilizaram cerca de R$ 1,5 milhão em doações e reformas no setor privado, incluindo a restauração de uma unidade básica de saúde. Para Jean Vicente, secretário municipal de Governo, a devolução feita pela Câmara permitiu reforçar equipes de empresas que já tinham contratos com a Prefeitura.
Obras estruturais ainda dependem de repasses externos
Os projetos de recuperação do Teatro Municipal e do Teatro de Arena estão cadastrados no governo federal e aguardam recursos para que as obras comecem. Jean Vicente afirmou que a Prefeitura não pode definir um prazo enquanto a verba depender de outros governos.
A sede do Centro Pop teve a estrutura destruída e permanece desativada. O atendimento foi transferido provisoriamente para o Centro de Convivência do Idoso (CCI), na Avenida Saudade.
Na Escola Municipal Professor Nagib Jorge, a queda de uma árvore de grande porte, estimada em 90 toneladas, causou danos que não puderam ser resolvidos pelos serviços de manutenção disponíveis. A unidade é a exceção entre as escolas municipais atingidas que ainda requer uma intervenção estrutural.
Em praças e parques, a retirada de troncos e galhos foi concluída, mas o replantio, o paisagismo e a jardinagem em locais como a Praça Luís de Camões e o Parque Maurílio Biagi dependem de um novo contrato de conservação urbana. A Prefeitura previa para novembro a apresentação de propostas de licitação; sem a liberação de recursos estaduais e federais, não informou um cronograma para as obras maiores.


