A defesa do vereador Roger Ronan da Silva, conhecido como Bigodini, pediu à Justiça um exame de insanidade mental antes da audiência marcada para 19 de outubro de 2026, em Ribeirão Preto (SP). O pedido foi apresentado com base em um parecer psiquiátrico e psicológico particular.
Bigodini, de 34 anos, responde por embriaguez ao volante, falsidade ideológica e fraude processual, além de direção perigosa. Segundo a denúncia do Ministério Público (MP), ele dirigia após consumir álcool quando bateu um carro alugado em uma árvore, em setembro de 2025.
A ex-namorada do vereador, Isabela de Cássia de Andrade Faria, também é ré no processo. A denúncia afirma que ela teria trocado de lugar com Bigodini após o acidente para simular que estava ao volante; a audiência de 19 de outubro era a terceira data marcada para o ato.

A Justiça ainda precisa avaliar se determina a realização de uma perícia oficial, que pode levar à suspensão do processo contra o vereador enquanto o laudo não for concluído. O caso também envolve a possibilidade de a ação contra Isabela seguir separadamente.
Pedido de exame e parecer apresentado pela defesa
O pedido de exame de insanidade mental foi protocolado em 15 de outubro de 2026 e fundamentado em um parecer psiquiátrico e psicológico particular. Segundo a defesa, o documento aponta dúvida sobre a integridade mental de Bigodini na época dos fatos.
A advogada Maria Cláudia de Seixas afirmou no processo que a solicitação não antecipa uma conclusão sobre a imputabilidade penal do vereador, ou seja, sobre a possibilidade de ele ser responsabilizado criminalmente. A Justiça decretou sigilo sobre o pedido e encaminhou o caso ao Ministério Público (MP) para manifestação.
Se a Justiça autorizar a perícia, Bigodini será avaliado por peritos nomeados pelo Judiciário; o parecer particular apresentado pela defesa não substitui o laudo oficial. O Código de Processo Penal prevê prazo de até 45 dias para o exame, prorrogável caso os peritos apresentem justificativa.
Efeitos do exame na audiência e no processo
A audiência de instrução e julgamento estava marcada para 19 de outubro de 2026, às 14h, na 1ª Vara Criminal de Ribeirão Preto. O ato seria realizado em formato misto, com parte dos participantes na sala de audiência e parte por videoconferência.
Durante a audiência, estavam previstas a oitiva de testemunhas, os interrogatórios dos réus e a apresentação dos argumentos finais da acusação e das defesas. A sentença poderia ser proferida no mesmo dia ou em outro momento, conforme as informações do processo.
Com a determinação do exame, o processo contra o vereador fica suspenso até a conclusão do laudo, salvo medidas que não possam aguardar. A Justiça também pode separar as ações de réus diferentes; nesse caso, o processo contra Isabela poderia continuar enquanto o de Bigodini estivesse parado.
Essa era a terceira tentativa de realizar a audiência. A primeira data, 29 de junho, foi transferida para 14 de setembro após um comunicado da presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP); depois, a pedido da defesa, o ato foi remarcado porque a advogada alegou compromisso profissional fora do estado.
Acidente de 2025 e acusações contra o vereador e a ex-namorada
Na madrugada de 28 de setembro de 2025, quando a Polícia Militar chegou ao local, Isabela estava no banco do motorista e disse que dirigia, embora não tivesse habilitação. Em depoimento na delegacia, Bigodini afirmou que havia bebido e pedido à ex-namorada que o levasse para casa.
Imagens divulgadas nas redes sociais alteraram o rumo da investigação: segundo a Polícia Civil, elas mostram o vereador saindo do lado do motorista, enquanto Isabela descia pelo lado do passageiro e entregava uma garrafa de uísque a um homem. A apuração também reuniu gravações de câmeras de segurança e dados do rastreador do veículo.
De acordo com a denúncia, o rastreador registrou velocidades de até 183 km/h na Rodovia Anhanguera, e os registros da noite apontaram consumo de bebidas em dois bares e compra de cerveja em lojas de conveniência. Uma perícia concluiu que as roupas de quem dirigia no momento da colisão eram compatíveis com a camisa usada pelo vereador e incompatíveis com as de Isabela.
Os dois se recusaram a fazer o teste do bafômetro. Policiais militares relataram em novos depoimentos que Bigodini apresentava sinais de embriaguez, como fala enrolada e dificuldade para ficar em pé; ele e Isabela foram indiciados, e a Justiça aceitou a denúncia do MP em 24 de novembro de 2025.
Isabela responde por falsidade ideológica, fraude processual e favorecimento pessoal. O MP não ofereceu a Bigodini acordo de não persecução penal, e a Procuradoria-Geral de Justiça manteve a recusa; na Câmara Municipal, ele cumpriu suspensão de 180 dias e retornou ao mandato em 12 de maio de 2026.


