Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu cerca de dois terços dos votos adicionais no segundo turno nas cidades da região de Ribeirão Preto e Franca.
O levantamento compara os resultados do primeiro turno, realizado em 4 de outubro de 2026, com os do segundo, em 25 de outubro. A disputa presidencial foi entre Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL.
A análise reúne os resultados de 66 municípios da área de cobertura de Ribeirão Preto e Franca, no interior de São Paulo. Flávio venceu na região, embora a diferença entre os candidatos tenha diminuído.

O cientista político João Augusto do Carmo avalia que o segundo turno mobilizou mais eleitores e envolveu questões de identidade e valores. A reportagem aborda a distribuição dos votos adicionais e as explicações do especialista para a maior participação.
Como se dividiram os votos adicionais na região
Na comparação dos resultados, Lula recebeu 128.100 votos adicionais, enquanto Flávio Bolsonaro teve 64.765 a mais. Esses números mostram como se distribuíram os votos no segundo turno em Ribeirão e Franca entre os dois candidatos.
Apesar de Flávio ter obtido 59,27% dos votos válidos na região, contra 40,73% de Lula, a diferença entre eles diminuiu. A vantagem do candidato do PL passou de 326.360 votos no primeiro turno para 263.025 no segundo.
No resultado nacional, Lula foi reeleito presidente com 51,79% dos votos válidos. Os dados usados na comparação foram divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Disputa mais mobilizadora, segundo cientista político
O cientista político João Augusto do Carmo relaciona a diferença entre os turnos à quantidade de opções e informações disponíveis. Segundo ele, com mais candidatos no primeiro turno, o eleitor tende a escolher alguém com quem já tem afinidade.
Do Carmo também citou a neurociência para explicar essa tendência: segundo ele, o cérebro busca alternativas mais simples para economizar energia. Já no segundo turno, com dois candidatos e notícias circulando continuamente, sobretudo nas redes sociais, a decisão ganhou maior peso; o especialista comparou a disputa a uma final de campeonato.
Na avaliação do cientista político, crenças e valores pessoais também contribuíram para mobilizar eleitores. Ele atribuiu parte do aumento da participação à campanha de rua do PT no segundo turno e mencionou a presença da juventude, mas os dados do TSE não informam a idade dos votantes, o que impede confirmar o peso de jovens ou idosos no comparecimento.


