O Terminal Rodoviário de Ribeirão Preto completa 50 anos em 2026 e é o principal ponto de embarque e desembarque do município e da região. Inaugurado em 1976, fica na Avenida Jerônimo Gonçalves, na área central da cidade.
Antes da construção do terminal, o terreno abrigava o complexo ferroviário da Companhia Mogiana. Segundo o historiador Felipe Souza, o espaço reunia estruturas como pátio de manobras, armazéns, oficinas e rotunda.
Ribeirão Preto também teve, na década de 1950, a Rodoviária do Triângulo, instalada na área onde hoje funciona o 9º Grupamento do Corpo de Bombeiros. O terminal atendia passageiros da região em um período em que, segundo Souza, os ônibus tinham menos recursos de segurança que os atuais.
Ao longo de cinco décadas, a rodoviária passou por reformas e contribuiu para a expansão do comércio nas proximidades. A história do terminal reúne a transformação do transporte na cidade e a memória ferroviária ligada ao local, aspectos destacados pelo historiador.
A estação da Companhia Mogiana e a antiga Rodoviária do Triângulo
O complexo ferroviário da Companhia Mogiana funcionou na área da atual rodoviária por décadas, antes de entrar em processo de abandono. As estruturas foram demolidas na década de 1960, abrindo caminho para uma nova ocupação do terreno.
Na década de 1950, a Rodoviária do Triângulo foi uma tentativa de concentrar o transporte rodoviário de Ribeirão Preto em um só terminal. De acordo com o historiador e professor Felipe Souza, o espaço recebia passageiros da região e era bastante frequentado.
As condições dos ônibus daquele período eram diferentes das atuais, sobretudo em relação à segurança. Souza afirma que os veículos não tinham itens básicos como cintos de segurança e não eram construídos com as estruturas de proteção usadas hoje em caso de colisão.
Construção do terminal e mudanças ao longo das décadas
A tradição da área como ponto de circulação de passageiros influenciou a escolha do terreno para o novo terminal, segundo Felipe Souza. Embora antes ligado aos trens, o local já concentrava o transporte e o movimento de pessoas na cidade.
As obras foram concluídas em 1976, e a inauguração ocorreu em novembro daquele ano. Na época, a estrutura era considerada uma das mais modernas do interior paulista; lojas e boxes instalados no terminal também favoreceram a expansão do comércio nas proximidades, conforme o historiador.
Entre as mudanças ao longo do tempo, Souza cita a instalação de novas plataformas de embarque e desembarque e de rampas de acessibilidade em 2000. Em 2009, uma modernização estrutural, com investimentos da Socicam, ampliou guichês, lojas e sanitários.
A rodoviária na memória e na identidade de Ribeirão Preto
Para Souza, a rodoviária conecta Ribeirão Preto a outros municípios e serve tanto a quem chega à cidade quanto a quem parte dela. O historiador relaciona essa função à necessidade de o terminal contar com estrutura adequada para receber passageiros.
A história do edifício também se liga ao passado ferroviário do terreno, onde funcionava o complexo da Estação Mogiana. Essa relação entre os dois períodos do transporte faz parte do valor cultural e identitário atribuído por Souza ao terminal.
O historiador considera a rodoviária um patrimônio com cinco décadas de história, associado às mudanças no transporte local. A memória do complexo ferroviário e a trajetória do terminal rodoviário estão reunidas no mesmo espaço da região central de Ribeirão Preto.

